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Artigo publicado por Henderson Barbosa - 22/07/2014
ContraCapa: os bastidores por trs do trnsito e da notcia
"Um trabalho que exige muita agilidade,afirma a profissional."
ContraCapa: os bastidores por trs do trnsito e da notcia - BoituvaSP Que o trnsito de So Paulo est cada dia mais catico, todos sabem. O que se torna um mistrio como sair e chegar onde se deseja. No s para responder essa questo, mas tambm para reportar informaes sobre o que est acontecendo nas ruas e avenidas da cidade, reprteres saem de suas casas todos os dias e percorrem caminhos a fim de manter as pessoas informadas. O que poucos imaginam que esses profissionais tambm ficam presos no congestionamento e, claro, isso vira notcia. Os bastidores por trs do que acontece todos os dias nesse tipo de cobertura foram relatados pela reprter da SulAmrica Trnsito, Roberta Migliolo, que h cinco anos est na rea.
Profissional do rdio desde quando morava no interior, onde, inclusive, no existem emissoras especializadas em trnsito, Roberta acorda cedo, um pouco antes de a cidade virar um caos. No carro, ela conta com a sorte para no se envolver em nenhum acidente, comum, alis, para uma cidade com mais de 11 milhes de pessoas e 5,4 milhes de carros (dados do Departamento Estadual de Trnsito de So Paulo em 2013). O aparelho de som e o celular so suas ferramentas de trabalho. com isso, alm da apurao da rua, que ela consegue acompanhar e informar o que est acontecendo. "A cada ano essa cidade fica mais difcil. Eu paro e fico tentando pensar em uma soluo e no que vai acontecer daqui a 20 anos. Ser que ningum vai sair de casa?", prev.

Parte do Grupo Bandeirantes de Comunicao, a SulAmrica Trnsito divide suas equipes de reprteres entre turnos. Alm disso, cada um cuida de uma regio, para evitar que reportem as mesmas informaes. "Tomamos cuidado para no fazer o mesmo caminho, j que samos do mesmo ponto. No podemos falar da mesma rua. J estamos acostumados, nos entendemos bem e muito simples por que estamos no mesmo barco". Roberta, que quando chegou a So Paulo s conhecia as marginais do Rio Tiet e Rio Pinheiros, faz Zona Leste e Centro. "Tudo que est nesse meio eu tenho que ir atrs. Se tem algum problema na Avenida Professor Luiz Incio Anhaia Melo e eu estou no centro, tenho que seguir para l. A prioridade para as ocorrncias, ou seja, tudo que interfere na passagem do motorista vale matria".
No comeo, o que parece natural para a jornalista hoje, era difcil. Ela chegava a parar o carro, fazer anotaes e escrever o boletim para entrar no ar. " um trabalho que exige muita agilidade. Estou falando com voc, mas observando tudo o que est acontecendo. No posso estar dispersa, tenho que ver o que est acontecendo em todos os lados". De acordo com ela, preciso saber o que est acontecendo e as rotas alternativas para orientar quem est na rua a seguir pelo melhor caminho. "Precisa conhecer e ter o mapa na cabea. Seno, vou ficar aqui dizendo que a via est parada e o ouvinte j sabe. Ele pode estar minha frente ou atrs, e essa informao no vai ajudar em nada. Quem est nos ouvindo espera mais do reprter".
O cansao fsico para quem cobre o trnsito a grande dificuldade, revela a jornalista da Sul Amrica. A pacincia tambm faz parte do pacote. "Tem que ter amor pela pessoa que est no trnsito. s vezes voc est um pouco mais cansada, mas nem por isso vai sair acelerando por cima das pessoas. Alguns motoristas vo te fechar, voc vai precisar brecar bruscamente, dizer que est tudo bem e seguir. Precisa ser calmo". O trnsito em So Paulo, sendo um dos maiores problemas da cidade, precisa ser visto de maneira mais otimista. o que Roberta tenta fazer todos os dias. "A voz transmite toda a sensao do que o reprter est passando naquele momento. Tem que tentar mostrar ao ouvinte que, embora a situao seja complicada, preciso fazer da dificuldade algo mais divertido e leve. A pessoa est no congestionamento, nervosa e cansada, algo tem que faz-la rir. E quando o motorista ri, o trnsito fica mais harmonioso".
Claro que no s de sentimentos bons feito o trabalho de quem est nas ruas. Presenciar acidentes, s vezes com vtimas fatais, faz parte. "No tem como fugir. Acontece uma batida e voc vai precisar reportar, vai ter que falar que algum morreu. muito difcil, a parte triste, pois ns temos que falar de algo trgico. E geralmente muito trgico, pois a pessoa saiu de casa e no vai voltar. Mas a famlia espera ela voltar. E a?". Na data marcada para a entrevista ao Portal Comunique-se, a jornalista da Sul Amrica Trnsito rodou 75km e nenhum acidente foi presenciado. Mas ela garante que essas ocorrncias so comuns, mas no normais. "Acontece, mas no normal pessoas morrerem desse jeito. Precisa melhorar. E se trata de um trabalho de formiguinha, que depende da colaborao de todos".

A jornalista fala, sobre a profisso, que interessados em cobrir o trnsito em So Paulo precisam estar psicologicamente preparados. "Voc vai pegar congestionamento, alagamento, sentir calor e frio, vontade de ir ao banheiro e nem sempre ter um local prximo. Precisa saber administrar tudo isso". Roberta, claramente apaixonada pelo rdio, ressalta que a tecnologia pode inventar maneiras de fazer jornalismo, mas que a plataforma rdio nunca deixar de existir. "As pessoas ouvem e gostam. Os celulares foram adaptados para ter rdio. algo que sempre vai estar a".
Fonte : Portal Comunique-se

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