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Artigo publicado por Henderson Barbosa - 24/06/2013
O MOTORISTA IDOSO
"Dr. Márcio Borges - geriatra Aconselhamento para famílias de idosos de alta dependência"
O MOTORISTA IDOSO - BoituvaSP Certamente, o carro é o principal meio de transporte para o idoso. Seja como o próprio motorista, seja como passageiro. A facilidade, independência e liberdade para ir onde escolher, faz do carro um dos melhores vínculos para a interação do idoso com a sua comunidade. Principalmente, nos idosos mais longevos, depois dos 80-85 anos, entre a família e os profissionais de saúde há um grande debate sobre até quando se tem condições de dirigir com segurança um automóvel. Com o envelhecimento da população brasileira, estão, a cada ano, surgindo mais idosos motoristas, acima de 80 anos, o que causa certa apreensão aos órgãos públicos ligados a área, aos geriatras e gerontólogos e às famílias destes idosos.

Todos os anos, em todo o mundo, morrem 1.2 milhão de pessoas por causa da violência no trânsito. Pelo menos, 40 milhões ficam feridos. O Brasil é um dos campeões destas estatísticas, com 37 mil mortes no ano de 2007! A terceira idade está entre as faixas etárias mais acometidas por estes números. E é neste contexto, que fica incluído o motorista idoso. Quando há um acidente de trânsito mais grave, o idoso é sempre uma das maiores vítimas, as que sofrem as piores lesões.

Algumas medidas funcionais devem ser avaliadas pelos profissionais de saúde, incluído o geriatra, para saber das condições do idoso, enquanto motorista. Veja os itens abaixo:
•A visão do idoso
•A audição do idoso
•O tempo de reação que se tem, quando fatos inesperados ocorrem no trênsito
•A atenção do idoso no trânsito
•A capacidade de julgar determinadas situações no trânsito
•A flexibilidade das articulações e a força muscular do idoso
•As habilidades de percepção do espaço onde trafega do idoso (conseguem ter uma boa visão do carro e da rua, evitam passar raspando em outros automóveis e locais de estacionamento, por exemplo)

Os profissionais de saúde, principalmente o geriatra e o médico de trânsito, têm a obrigação de consultar os idosos motoristas que o procuram e avaliar suas condições de dirigir com segurança um carro. Devem averiguar o modelo de carro e sua facilidade de dirigir; devem ver que tipos de trajetos são feitos cotidianamente, observando a facilidade de dirigir em vias públicas; mostrar aos idosos a imprudência de usar telefones celulares; não beber antes de dirigir e respeitar os limites de velocidade impostos nas ruas e rodovias.

Um dado preocupante é o idoso que faz uso de medicamentos que prejudicam sua capacidade de dirigir. Muitas vezes, este dado passa despercebido pelos examinadores. É fato que boa parte dos idosos usam de 4 a 6 medicamentos, todos os dias. Uma boa parte destes idosos que usam medicamentos, tomam alguns que podem atrapalhar sua capacidade de atenção e habilidade para a condução de um carro. Só para citar alguns medicamentos, temos os benzodiazepínicos (bromazepam, diazepam, clonazepam, cloxazolam), os hipnóticos (remédios para dormir: flunitrazepan, zolpidem), os antidepressivos (sertralina, citalopram, paroxetina, mirtazapina) e os antialérgicos (loratadina, prometazina).

Algumas doenças podem atrapalhar o idoso a dirigir com segurança, podendo colocar em risco a própria vida e a de outras pessoas. Uma destas doenças é a doença de Alzheimer. Aparentemente o idoso não apresenta nenhuma desvantagem do ponto de vista físico, com boa saúde, porém já mostra sinais de confusão mental, de desorientação espacial (se perde no trânsito) e de redução dos reflexos para as mais variadas situações inesperadas. Outras doenças que podem prejudicar o motorista idoso são as doenças visuais (glaucoma e doenças da retina), as doenças auditivas, as sequelas de AVC, as artrites mais severas, os idosos que têm risco elevado para infarto do miocárdio e os portadores de apnéia do sono.

Cabem ao examinador perito de trânsito e ao geriatra uma sensibilidade maior de mostrar, com todo o cuidado, ao motorista idoso a sua falta de condições de dirigir um carro com segurança. Deverão também saber que facilmente haverá resistência por parte do motorista idoso, pois é comum achar que as dificuldades maiores estão sempre com os outros motoristas. Eles não… Eles dirigem muito bem! Isto é muito comum com o motorista que está começando a apresentar os primeiros sinais da doença de Alzheimer. Não tem noção da própria doença e não vêem dificuldade em dirigir.

Ações preventivas como não renovar sua carteira de habilitação, esconder as chaves do carro e retirar certas peças do carro que atrapalham a partida do motor podem ser úteis para não deixar que o motorista idoso, sem condições de dirigir, possa pegar no volante de seu carro. Segurança no trânsito é fundamental!

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